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terça-feira, 13 de setembro de 2016




PACTOS CÓSMICOS



Em um planeta, distante há 30 galáxias da Via Láctea, denominado Aurean, seres de tom azul pálido, rostos triangulares e natureza pura, eram esporadicamente enviados para o planeta Terra, a fim de auxiliar os humanos em sua evolução. Chamavam esse auxílio de "Despertar". Esse envio era efetuado por ordem da Federação Galáctica, sistema este, composto de membros estelares como; Arcturus, Antares, Sírius, Plêiades, Procyon, Aldebaran, Vega, Regulus, Altair dentre outros planetas. 


Tinha por responsabilidade, manter a ordem de todas as galáxias e planetas espalhados pelo multiverso, organizar estratégias para restabelecer a Ordem Universal, desde que não interferissem no Livre Arbítrio. Poderiam apenas estabelecer linhas de destino baseadas, numa Lei Física Universal, conhecida como: Lei da Causa e Efeito. E caso os seres enviados em missão, não despertassem ainda assim, renasceriam novamente, retornando mais um ciclo encarnatório com a chance de despertarem dessa maneira. Esse ciclo seria repetido, quantas vezes fossem necessárias, até que, o despertar ocorresse e evoluíssem para partirem de volta ao lar de origem.
Porém, algo saiu errado por volta de 300 anos D.C, no planeta chamado de Terra Gaia. A falta de amor se triplicou, e os ensinamentos que o filho do Criador, o "Cristo" havia deixado, foram usados para benefício do orgulho e ganância dos que haviam sidos enviados para despertar os habitantes da Terra. Então, por ordem do Criador, a Federação foi conduzida a reformular os planos. A Lei Kármica seria agora também efetuada sobre os aureanos. Seres que se deixassem contaminar com o materialismo, ou com os sentimentos egoístas e maquiavélicos dos humanos, também seriam obrigados a reencarnar até compreenderem sua real missão, a de trazer o despertar para Gaia, e a evolução aos humanos. Isso se daria para o estabelecimento de um segundo, e maior plano; o da renovação planetária.


Porém, milhares de anos se passavam, e um conglomerado de ciclos reencarnatórios se repetia o que fez com que, a Federação Galáctica decidisse por outro plano nos Universos Paralelos. Este tinha por intuito, enviar pares dos mais perfeitos aureanos, em pureza, compaixão e verdade, altamente selecionada, quais nasceriam exatamente para essa missão cujo nome era; Missão Dharmim- Gaia.
Segundo o plano da Federação, os mais amáveis, frágeis e compassivos, seriam enviados para o planeta Dharmim, onde os habitantes nasciam e viviam inundados de amor e profundamente conectados aos seus pares enviados à Gaia. Estes eram os guerreiros, fortes e decididos, envolvidos por uma índole inabalável, prontos para recusar toda contaminação terrena, afinal, foram gerados para isso. Enquanto os enviados à Gaia viessem, em meio à missão, desistir diante das dificuldades - pois não se recordavam quem eram -, os habitantes de Dharmim ressoariam melodias curativas até suas almas, e os manteriam renovados para darem continuidade a sua missão. Este era o plano perfeito, seres aureanos guerreiros lutando a favor dos humanos e sua evolução, seres aureanos vivendo no Planeta Dharmim, cuidando dos companheiros guerreiros... Dentre os humanos, muitos aureanos perdidos seriam despertos, e posteriormente, findariam ao evoluir, seu ciclo encarnatório finalmente voltando à Aurean. Não se tratava de uma missão apenas restrita aos aureanos, pois muitos seres intergalácticos se encontravam perdidos em Gaia.


Muitos seres, assim como os de Aurean, eram enviados para despertar seus irmãos estelares. Porém, muitos se envolviam com as paixões e cobiças da terceira dimensão, e isso, os aprisionava no infinito ciclo encarnatório. A Missão para o grande Despertar havia sido subdividida, onde os aureanos pertenciam à "Missão Dharmim-Gaia". Essas missões teriam seu término 2019 anos após a partida do grande Avatar Crístico, o filho do Criador. No ano limite, se os esforços de todos os enviados estelares, conhecidos pelo Planeta Terra como seres celestiais, alcançassem sucesso, a terceira grande Guerra Mundial seria abortada. Guerra esta, estimulada por seres também estelares, mas de intenção maligna e egoísta, com o fim de apoderar-se do último Planeta suscetível à escravidão, no caso, Terra Gaia. Essa suscetibilidade era devido à intenção íntima da natureza humana, que muito se assemelhava às destes seres estelares, conhecidos em Gaia como "anjos maus", ou ainda "anjos caídos". 


A facilidade em aprisionar a humanidade, se dava à confusão entre o que o espírito desejava, e o que a carne ansiava... Vícios, paixões desenfreadas denominadas de pseudo amor, cobiça e ódio, eram as armas emocionais mais simplistas, porém de resultado inimaginável contra esses seres, frágeis e de mentes facilmente manipuláveis. O plano dos seres mal intencionados era; transformar a realidade estelar em ficção, e a ilusão de que humanos eram, únicos e mortais, em fato verdadeiro... Unindo-se às instituições poderosas, quais manipulavam mente e alma dos seus seguidores, infiltraram-se desde o século IV D.C. Primeiramente nas religiões e na política, auxiliaram posteriormente na tecnologia, e finalmente no século XX, fortalecidos pela vibração obscura do próprio Planeta Terra, governaram a mídia. Essa estratégia fecharia o ciclo de um árduo trabalho contrário à Missão Gaia, ordenada à Federação Galáctica pelo próprio Criador do Multiverso!
Esta é uma ficção, permeada de fatos óbvios, porém uma ficção... Uma história entre dois seres, enviados a Terra para cumprirem a grande Missão Gaia... O que os uniria? Seriam unidos por um pacto cósmico!




segunda-feira, 7 de março de 2016




Fragmento de 
"E SE EU PUDESSE TE AMAR?"
(conto espírita)



Poucos sabiam da viagem de Letícia, naquela manhã, já no interior do avião rumo à San Francisco – Califórnia, a moça com a cabeça recostada na confortável cadeira de primeira classe, avistava as nuvens, o azul intenso e infinito do céu. O ruído discreto do Boeing a fazia aos poucos se deixar levar por um transe, até finalmente cerrar os olhos num profundo sono... E nas profundezas de seus pensamentos, avistou uma longa estrada, nela um menino caminhava cansado.

Tinha aparentemente uns cinco anos, não mais que isso... Ela tentou alcança-lo, mas ele caminhava rápido, tentando fazer com que o avião que o sobrevoava desse conta de sua presença ali. Letícia o chamou, questionando-o:



- Garoto! Por que acena desse jeito? Não irão vê-lo do avião! 

O menino como que não crendo no que acabara de ouvir, voltou-se repentinamente para ela cessando de imediato os passos. Sorrindo numa felicidade nítida disse ofegando:

- Mãe! Você me ouviu? - o olhar dele a prendeu fixamente, a ponto de o transe ainda permanecer alguns segundos após vir à tona pela voz doce da comissária de bordo.



- Deseja alguma bebida? 

O olhar lento e distante de Letícia deixou a moça preocupada que a olhando questionou novamente:

- A senhorita está bem?

- Senhora... Sra. Ginich. Eu estou bem. – respondeu ainda envolta na aura daquela visão perturbadora...


Escritora Tereza Reche

domingo, 6 de março de 2016







CAPÍTULO II 
(Conto espírita)

E SE EU PUDESSE TE AMAR?



Letícia por volta das oito horas da noite, se encontrava pronta. Escovando os cabelos e escolhendo o par de brincos em frente ao espelho, observou pelo reflexo que sua mãe se encontrava distante e ansiosa. Então resolveu trazê-la para o agora. – Não parece feliz por eu estar namorando sério.

- E isso lá é namoro sério? Os pais dele sequer sabem de você.

- Saberão hoje, o Tony irá me apresentar a família dele, mas para você nunca nada é o bastante, não é?

- Eu só acho que pobre e rico não se misturam, e quando o fazem algo sempre dá errado.

- Você tem noção do quanto é destrutiva? 

- Tenho noção do quanto sou realista, e do quanto é inconsequente. Mas... Como nada do que eu disser resolverá, boa festa. – disse sorrindo em tom de deboche.

Letícia voltou para o quarto mal-humorada e logo ouviu a buzina do carro de Tony. 

- Estou indo, não sei à que horas vou voltar.

- Eu imagino... – resmungou em tom inaudível a enfermeira enquanto tomava um gole de café. 

Letícia correu até o carro e foi recebida com um longo beijo. Algo dizia a Daniele que aquilo não seria um bom início, algo queimava dentro deles como o fechar de um ciclo. Tony parecia reluzir seu amor a cada dia mais intenso pela menina pobre de Guaianazes, e ela via nele todos os sonhos de uma doce princesa realizados. O que poderia dar errado afinal? O que poderia estragar tamanho sonho juvenil? Aparentemente nada... 

Mas a alegria e a sensação inexplicável de normalidade de Letícia foram estancadas repentinamente, logo que o carro estacionou em frente à mansão dos Ginich. Um temor pela barreira a ser ultrapassada tomou conta dela a ponto de num instante recuar. 

- Eu acho que não será uma boa ideia Tony. 

- Nada de voltar atrás justamente agora. Eu vou entrar com você, de mãos dadas, e tenha a certeza de que todos a respeitarão. Meus familiares são todos, gente muito boa. Acredite em mim.

- Mas Tony.



- Venha. – ordenou incisivamente oferecendo-lhe sua mão. Letícia aceitou o desafio, e entraram finalmente pela porta do salão anexo à casa, onde ocorria o tumulto da festa. O som extremamente alto, as luzes e o vai e vem dos garçons não permitiam que eles chamassem muito atenção. Porém, mesmo que a maioria ali presente fossem jovens, mais distante havia um segundo ambiente sob um gazebo, onde os mais velhos se reuniam. Ao longe Caleb notou a chegada de Tony, e com uma taça de champanhe nas mãos seguiu até onde ele estava em meio aos jovens. Não demorou muito, dentre o desvario da maioria ali, encontrou o sobrinho que o recebeu alegremente.

- Tio! Onde está minha irmã? Consegue localizá-la nessa loucura?

- Sua mãe estava procurando por você também. – disse ele sem perceber a presença da jovem ao lado de Tony. 

- Vou sair do salão, não consigo encontrar ninguém apesar de todos estarem aqui! - respondeu ele em voz alta pouco sendo ouvido. Puxou Letícia pelo braço delicadamente e então, por um segundo os olhares de Caleb e da moça se cruzaram... Os dele incisivos e curiosos, o dela tímidos e desejando dali desaparecer. Alguns passos e o som mais tranquilo de uma música clássica era notada no ambiente onde seus pais e tios se encontravam. Tony com um sorriso no rosto trazia a moça ao seu lado um tanto tímida. 

- Oi pai! Oi mãe! - disse em tom animado. 

Ao primeiro momento todos se alegraram ao vê-lo, porém aos poucos os sorrisos eram transformados em olhares estranhos, duvidosos e reprovativos. 

- Quero que conheçam minha namorada. – O semblante nauseante da mãe era nítido, e nada mais houve dela senão silêncio. Então a voz de Mazal, prima de Abner e mãe das únicas primas de Tony que se encontravam com os mais idosos, disse quebrando o pesado clima criado. 

- Fique à vontade, qual seu nome? 

Neste instante, os irmãos Felipe e Matheus, primos de Tony e filhos de Caleb, o chamaram repentinamente puxando-o pelo braço. Não houve tempo de sequer perceber ou chamar pela companhia de Letícia, deixando-a ali em meio aos lobos. Mais uma vez o questionamento de seu nome, porém vindo do astuto Caleb foi ouvido:



- E então? Qual é o seu nome menina? - ao ver Caleb sorrir ironicamente enquanto todos aguardavam a resposta, Abner com o rosto taciturno interrompeu, bem compreendendo a intenção do meio irmão. 

- Vamos nos recolher para um charuto, quem dos homens me acompanham? Você vem não é Caleb? - voltou o olhar sério ao irmão que silencioso meneou positivamente a cabeça, seguindo-o. 

Finalmente Mazal retornou docemente questionar-lhe:

- Então? Qual seu nome?

- Letícia.

- Meu esposo contou-me sobre uma Letícia, mas não iria gostar de conhecê-la. Creio que não aprovaria sua índole. – disse Mara ainda irritada com a ousadia do filho em trazer a suposta ladra para dento de sua residência. 

A moça calou-se num olhar fulminante contra a mulher, novamente um clima pesado se instalou. Letícia pediu licença e seguiu os passos até o salão de festas. A caminho da sala onde os homens da família se reuniram para um charuto e bom whisky, Caleb disse ao irmão incitando-o contra a jovem Letícia.

- Essa mulher será a nossa ruína.

- Ela sequer é uma mulher, é uma ninfeta sem classe nenhuma.

- E ladra! Isso não podemos esquecer, deixa-la aqui solta, amanhã faça uma averiguação geral pela mansão. 

- Já avisei alguns seguranças para ficar de olho nela. 

- Nosso Tony está correndo perigo com essa vagabunda.

O tom agressivo de Caleb desta vez intrigou Abner que, deixando o copo de whisky de lado questionou-o:

- Mas por que tanto ódio? Eu não gosto dela, não vou admitir esse estilo de pessoa rodeando meu filho por muito tempo, mas não tenho essa aversão contra ela que você tem!


- Eu vejo as coisas irmão, sabe disso, desde muito moleque que eu pressinto, ouço e vejo coisas. E eu lhe digo, essa moça é a ruína do seu filho, da nossa família.

- Não seja dramático. – respondeu Abner levando o charuto à boca, porém, reflexivo, afinal, Caleb de fato quase nunca errava seus julgamentos...





sábado, 5 de março de 2016




"E SE EU PUDESSE TE AMAR?" 
Fragmento do Conto Longo (espírita) 


E enquanto a mente dela dançava inconstante, Tony como de costume, iniciou naquela manhã sua corrida no Alfredo Volpi no bairro do Morumbi, relativamente próximo de sua nova casa. No ouvido, um mantra que ouvia sempre, “Ananda Giri - Oneness Mantra”... No pulsar do mantra, no pulsar cardíaco, em meio a natureza, a brisa da manhã e a baixa temperatura, Tony intensificou sua corrida. Parecia estar relutando contra o vento que lhe batia contra o rosto. As batidas intensas de suas pegadas, a dor que o olhar trazia e a intensidade além do normal que suas emoções buscavam atingir usando de um esforço acima de sua capacidade o fez, por um instante sentir um tranco no peito. Era como se seu coração lhe recusasse seguir tamanho estresse... Tony, tomado por uma ansiedade, uma falta de temor e até mesmo de vida, agora, num aperto forte entre a garganta e o peito buscou forças de onde não entendia, para relutar contra as batidas fracas de seu coração... Um suor frio o tomou, e num lapso de segundo, o mantra deu lugar a um som intercalado, seguido de um clarão intenso que o fez cessar os passos repentinamente.

- Pai! - parou em meio ao parque e olhando por todos os lados sem fôlego algum pode perceber que estava completamente só! 

Não conseguiu realinhar seu fôlego às batidas de seu peito, quanto mais o esforço era feito por ele, mais a dor de início discreto, intensificava... Disseminando rapidamente pelo braço esquerdo, fazendo parecer que dilaceraria sua mandíbula, tentou pedir ajuda, mas o seu desespero pela dor foi amenizado ao ouvir novamente aquela voz doce infantil, mas sem direção nenhuma... 

– Pai! 

Tony elevou os braços para o sol, e enquanto o olhava fixamente a quase queimar sua retina pela claridade cada vez mais intensa que o consumia, deu um último suspiro enquanto seu corpo caiu repentinamente ao chão. 
Na mansão dos Ginich, Abner lia um jornal na cadeira de vime, em frente a piscina onde os netos brincavam, ainda que sua mente estivesse no ocorrido há alguns meses. Mas como que repentinamente, um sono o tomou de um segundo a outro. O velho Abner recostou instintivamente a cabeça para trás na cadeira confortável, e o jornal caiu ao chão. Seu neto mais velho, Ruy de 8 anos o observava da piscina. E no profundo do adormecer de Abner, algo falava com ele... No sonho, ou visão, não se sabia... O seu avô Abiel lhe surgiu, caminhava pela beira da mesma pisciana até chegar ao seu lado calmamente...

- Você mudou bastante meu neto... – disse o falecido Abiel, vestido de roupas de gala em plena manhã de sol. Abner sorrindo, com os olhos reluzentes respondeu em felicidade aparente pela presença de seu tão amado avô. 

- Sinto tanto sua falta vô...

- Ouça meu filho, precisará ser forte, mais forte do que tem sido até agora. 

- Meu neto... Meu neto se foi.

- Foi apenas o início, precisa ser forte por alguém que estava com você meu filho.

- Não entendi vô.... Do que está falando? - nesse instante, Abner voltou os olhos para a piscina e viu Tony caminhando em sua direção, também vestido de gala, como dificilmente o vira até então. Tony com um olhar calmo disse ao chegar próximo de seu pai:

- Pai, não é como pensamos ser, é muito mais simples. Apenas acredite nisso, do contrário não irá suportar. 

Abner meneou a cabeça sem compreender, mas sentiu Tony distante, o puxou fortemente e abraçou-o temendo e tremendo, sem sequer saber o porquê daquela sensação. Uma voz o trouxe repentinamente para a realidade, os gritos de Mara advindos de dentro da casa. E ao reabrir os olhos, não entendia como, mas em silêncio Abner sabia a razão da histeria de sua esposa...



















Escritora Tereza Reche 

sexta-feira, 4 de março de 2016





Fragmentos do Conto Longo  "E SE EU PUDESSE TE AMAR?"
 (conto espírita)

I CAPÍTULO



O tumulto das noites de Natal nas ruas de São Paulo era memorável! Em uma loja de bijuterias, uma moça chamada Letícia, ocupava o cargo no caixa daquele estabelecimento. Não que fosse incompetente, mas por motivos talvez de desatenção, ao fechar o Caixa naquela noite as contas da gerência não bateram! A voz áspera de Caleb, irmão do dono da loja, Abner, bradou pelo seu nome em meio à multidão de consumidores desequilibrados pelo ritmo natalino. Após uma cruel conversa numa pequena salinha com Ângelo, bastou para que ruidosamente, ela fosse descartada na mesma agilidade em que fora contratada há dois meses e meio. Após o veredito final, a moça no banheiro chorava em silêncio, ajeitando a bolsa jeans que usava, tentava encontrar o celular para avisar a mãe do ocorrido, mas ninguém atendeu. Então ainda em prantos por uma condenação que não merecera, voltou-se para o espelho limpar a face. Naquele instante um susto tomou-a ao ver nele, o reflexo do filho do dono da loja, Tony! Um rapaz bem afeiçoado, tomado de vaidade por ser o filho rico de uma grande rede de lojas da “25 de março”, muito cobiçado pelas garotas da loja e muitas fora dela...



- Que susto Tony! Você está no banheiro das mulheres!

- A loja é minha, entro onde eu quiser. – respondeu ele retirando o cigarro da boca, recostado sorrindo de lado para a moça em lágrimas. Alguns segundos de clima estranho e ele se aproximou dela lentamente.

- Desde que chegou resolvi frequentar mais a loja do meu pai.... Vejo que vou ter que mudar a estratégia. 

- Não entendi...?

- Eu explico. – disse se aproximando lentamente dela, finalmente beijando-a. Minutos depois estavam na casa de Tony, no piso superior da loja e Letícia, até então desconhecedora dos segredos do amor, era agora uma jovem mulher. Tony era cinco anos mais velho que ela, tinha naquela noite vinte e dois anos. Com o rosto debruçado nele, assustada com a rapidez com que tudo havia ocorrido, se levantou com calma e tomada de timidez. Vestindo-se de costas para ele disse discretamente: 

- Não precisa se preocupar comigo, seu pai não irá notar, vou descer pela escadaria do lado que dá na rua. 

Tony se aproximou dela, e segurando seu ombro respondeu surpreendendo-a: 

- Eu quero que ele veja, e terá que voltar atrás do que a fez passar. Desça comigo, por favor. E Letícia sentiu naquele olhar, que realmente ele a queria, e seria para sempre! Alguns sabem...



Dias se passaram, e apesar de Abner Ginich, pai de Tony, não dar muita atenção ao filho mimado acerca da namorada pobre da zona leste no bairro Guaianazes, o amor entre eles parecia intensificar e cada dia. Certa noite, enquanto Abner sentado em sua bela sala de estar, verificava alguns e-mails, notou seu filho mais novo se aproximar em silêncio. Estranhando o comportamento atípico de Tony, Abner cessou a leitura e fechando seu notebook voltou-se para o rapaz.

- Se eu o conheço... Quer contar-me alguma coisa menino? 

- É uma notícia boa, ao menos para mim.

- Que bom saber... Se é boa notícia para você, é para mim também. – sorriu alegrando-se. 

- Eu estou namorando uma garota pai.

- Hum... E qual seria a felizarda?

- É a Letícia. – disse Tony achando que seu pai assimilaria o nome com a ex responsável pelo caixa da loja. 

- Letícia?... De que família?

- Não deve conhecer a família dela pai, o nome é Letícia Pimentel. – neste instante sua mãe se aproximou. Abner a introduziu no assunto animado.

- Ouviu isso querida? Até que enfim esse rapaz resolveu namorar alguém de verdade!

- Que maravilha meu filho, e quem é?

- Filha dos Pimentel. – interrompeu o filho tomado de ansiedade, afinal a tradicional família de Abner precisava logo de um neto para dar continuidade ao sobrenome. 

- Filha do Dr. Adênio? O juiz de Higienópolis?

- Não mãe...

- Deve ser filha ou neta do Dr. Pimentel, o urologista, não é não filho?

- Não pai, ela não é conhecida, não da maneira que vocês estão dizendo.

- Talvez seja ligada aos Pimentel do nosso amigo do Rotary Clube, o promotor Augusto Pimentel. Não é filho?

- Ela é Pimentel de Guaianazes! - disse em tom incisivo estancando o diálogo intercalado dos pais ansiosos. Um silêncio profundo tomou-os. Tony notando o choque de ambos se calou, desviou o olhar até que ouviu a voz mansa e duvidosa do pai:

- Ela faz o que em Guaianazes? Trabalha exatamente com o que?

- Ela mora na zona leste, e trabalha... Quero dizer, trabalhava, até o tio manda-la embora, na nossa loja. 

Neste instante o impacto tomou uma segunda vez seus pais. O rosto de sua mãe chegou a recuar num lapso de segundo, como quem sofre um tapa na cara!

- O que?! - questionou franzindo o cenho, o velho Abner, descrendo do que acabara de ouvir.

- É exatamente isso, a Letícia que o tio injustamente demitiu.

- A ladra? - interrompeu Mara, sua mãe.

- Ela não é ladra mãe, o dinheiro desapareceu numa noite absurdamente tumultuada de natal, sabemos que aquela loja é uma loucura e não há como provar que foi ela quem roubou. 

- Seu tio viu o roubo meu filho! - debochando respondeu Abner reabrindo o notebook, nem mais se importando com o assunto.

- Pai, foram R$15,00! 

- Mas eram meus! 

- Ela não roubou esse dinheiro pai, por favor!

- Chega desse assunto, nem sei por que parei de ler meus e-mails. 

- Eu vou descansar, boa noite queridos. – se afastou Mara maneando a cabeça em reprovação.

- Vocês vão me ignorar é isso?

- Tony, crie juízo. E me deixe trabalhar está bem? Devia servir de alguma coisa meu exemplo. – voltou-se para os e-mails.

- Eu já comuniquei. Depois não digam que não havia dito nada, por que eu disse. 

Saiu da sala deixando o pai sozinho. Abner já se encontrava imerso no trabalho novamente em segundos, indiferente. Horas depois, no quarto espaçoso e de estilo colonial antigo, o velho Abner se ajeitava para se recolher. Enquanto Mara, a esposa vinte anos mais nova lia uma revista de modas, o esposo se ajeitava na cama pensativo. 

- Não está preocupado com a conversa de Tony, não é? Parece tão tenso... 

- Não, é outra coisa que está me deixando intrigado.

- O que seria? Pode me contar?

- Tenho sonhado com meu finado avô acredita? Noite após noite. 

- Isso é muito comum Abner, todos sonham com os pais, avós... 

- Eu disse “todas as noites”! Não uma ou outra noite. 

- Mas que seja. Pare de se preocupar com isso e durma, isso tudo é o estresse do dia a dia, apague esse abajur e vamos dormir isso sim. – fechou a revista e se ajeitou entre o edredom abraçando o esposo que acabou rendendo à exaustão. 

Na manhã seguinte, na residência de Letícia, sua mãe solteira, uma jovem senhora de 37 anos, auxiliar de enfermagem terminava o café da manhã às pressas. Enquanto despejava o café na xícara de boca larga chamava pela filha em voz alta. 

- Letícia! Vai perder hora da entrevista filha! 

- Nossa não precisa gritar desse jeito mãe. Já estou pronta.

- Está levando tudo? Documentos, foto?

- Eu sei me virar ok? E você? Vai fazer plantão hoje?

- Não, volto às 15:00hs, e quero essa casa limpa ouviu? Não é por que não está trabalhando que vai ficar dormindo até tarde. Estou indo, fique com Deus. – disse agitada, beijando-a na fronte. Letícia sentou-se desanimada frente a xícara, refletia os dias anteriores, logo seus pensamentos foram tomados pelos seus últimos encontros com o novo namorado. Como que se isso bastasse para atraí-lo, o telefone tocou:

- Alô!

- Letícia? Estava pensando em tomar o café da manhã com você, o que acha?

- Não posso Tony, tenho uma entrevista de emprego agora.

- Não, não tem não...

- Estou falando sério Tony. E outra, chegaria aqui muito tarde, já terei saído. – neste instante ouviu alguém bater na porta.

- Só um momento, estão batendo na porta. – seguiu até ela e ao abri-la foi surpreendida pelo rapaz de forma simpática aguardando-a com uma cesta de café da manhã nas mãos. 

- Você?!

- Aceita ou não aceita? - Letícia respondeu sorrindo com um abraço apaixonado. E assim passavam os dias, Tony e sua mais nova namorada, dia a dia se aproximavam e fortaleciam seu vínculo em segredo por não serem aprovados pela poderosa família de Abner Ginich.

Entretanto, após onze meses de encontros secretos, o evento para comemoração do aniversário de Tony estava marcado para dia 25 de novembro. E isso significava para ele, o desejo de oportunamente apresentar Letícia à família. Certa noite, em um apartamento, dos muitos que seus pais mantinham em São Paulo, ambos sem que ninguém sequer imaginasse, assistiam à um filme enquanto se esbanjavam entre pipoca e muita coca-cola. Repentinamente, o sagitariano Tony desligou a TV sem prévio aviso. Letícia indignada esbravejou:

- Por que fez isso? Justamente no momento mais emocionante da história Tony!

-Tenho uma coisa muito séria para te contar. Na verdade, exigir, não contar.

- Do que está falando?

- Quero que venha comigo na minha festa de aniversário.

- Tony já falamos sobre isso... Sabe que seus pais me odeiam, e sua irmã também que você mesmo me contou. Não quero ser humilhada.

- Não será! Eu lhe prometo. 

- E se me humilharem? 

- Eu já disse que não farão isso. Eu garanto. Conheço minha família, são judeus muito tradicionais, educadíssimos e muito ligados à família. Por exemplo para ganhar meu pai é só elogiar a foto do meu bisavô Abiel que fica na parede. 

- Como assim? - riu não compreendendo tal comentário. 

- É que meu pai tem uma história muito bonita com meu bisavô, mas é uma longa história...

- Não tem problema, conte-me, já que não me deixou assistir ao filme... 

- Tem certeza? 

- Absoluta.

- Então lá vai... Bom, meu bisavô teve dois filhos, meu avô Aharon e minha tia avó Ashira. Meu avô se casou com minha avó Edna, ela ficou grávida antes de se casarem, não tinham muitos bens naquela época. Então, minha avó decidiu abortar meu pai. 

- Nossa! 

- Sim, porém, meu avô desesperado pediu ajuda ao meu bisavô sobre isso, e meu bisavô disse que passaria todos os bens dele no nome da minha avó se ela aceitasse, mas que não abortasse meu pai. Ela de fato aceitou, teve meu pai, entregou-o ao meu avô e se foi, com todo o dinheiro e bens!

- Meu Deus! Não acredito nisso Tony!

- Sim, entretanto, meu avô permaneceu firme, e trabalhou do zero novamente, além de restituir toda a riqueza e muito mais em curto prazo de tempo, meu pai estava lá... Passava muito tempo com o meu bisavô, e sempre ouvia essa história. De que nada era mais importante para ele que estar ao lado do meu pai. Nem riquezas, nem a perda delas... 

- Que lindo isso Tony. – sussurrou a menina com lágrimas nos olhos. 

- E então, meu bisavô passou a ser o herói do meu pai, e de toda sua geração. Afinal, se não fosse pelo Sr. Abiel, não existiríamos concorda?

- E o seu tio? Que me odeia tanto? - riu tentando esconder a emoção que tomara conta dela. 

- Meu avô se casou 5 anos depois, e foi neste casamento que ele teve meu tio Caleb. São meio irmãos na verdade. 

- Não dá para acreditar! 

- Eles lutaram muito pelas conquistas do meu avô Aharon, e tudo o que temos hoje é por conta do árduo trabalho deles. 

- E seu bisavô? Faleceu há muito tempo?

- Meu pai tinha 18 anos na época, meu tio Caleb era um pré-adolescente, não era muito ligado em meu bisavô, mas sei que meu pai ficou anos a fio de luto por ele. Na verdade, acreditamos que o luto nunca terminou. 

- E sua avó? De sangue no caso?

- Ninguém sabe dela, depois que deixou a família, nada mais se ouviu falar. 

- Meu Deus que história! Sei agora por que seu pai briga por quinze reais perdidos! – riram do comentário juntos, após o momento descontraído Tony voltou ao início do assunto:

- E então? Posso contar com seu presente?

- Terá um presente.

- Sua presença é meu presente. E ponto.
















Escritora Tereza Reche

quinta-feira, 3 de março de 2016





Fragmento do Conto Longo

E SE EU PUDESSE TE AMAR?
(Conto Espírita)




Capítulo: "SEUS PASSOS...

Ao sentir o corpo leve como pluma, Letícia sentiu-se bem... A transição entre a matéria e o espírito, o desdobrar ocorria lenta e vagarosamente, o peso de seu corpo carnal intensificava enquanto seu espírito simplesmente sobrevoava a si mesma. Não temeu, haja vista que inúmeras vezes ainda haveria de passar por isso, bem sabia... Um mantra, talvez gravado em sua alma, iniciava a melodia calma, profunda e a envolvia. Como ondas calmas de uma madrugada fria do mar, seu espírito foi trasladado até um deserto belíssimo! A areia branca, pálida feito sal, dançava lentamente enquanto uma brisa quente a visitava. Letícia estava ainda, mesmo que no astral, sentada em sua cadeira de rodas. Sua idade avançada lhe trazia apego à ela. Enquanto seu olhar já cansado analisava sem muito se importar a beleza daquele lugar, um vulto alto surgia aos poucos diante de si. Ao longe, um rapaz jovem, belo e simpático vinha em sua direção vestido de beca. Nas mãos um diploma de graduação em medicina. Imponente, belo e sorrindo caminhava com tranquilidade a partir do horizonte, enquanto seus passos eram minuciosamente intercalados, a areia era varrida agora com força, como que abrindo espaço para sua suntuosa passagem, até finalmente mostrar aos olhos de Letícia o piso reluzente do mármore do salão onde ocorria a formatura de Noah!



Os aplausos seguiram vindos de forma longínqua, não se entendia exatamente de onde... Letícia sem percepção do que fazia, levantou-se de sua cadeira de rodas, e viu-se como instantaneamente vestida para a cerimônia de formatura do filho. Era mágico! A luz que Noah emanava de si, aproximando-se amorosamente estendeu uma das mãos para que ela o abraçasse. E foi nesse instante, em que ao sentir o calor do peito dele no dela, Letícia pode saber; o amor que ela sempre desejou, que almejava dia e noite se encontrava naquele coração, do filho Noah. Após sentir o rosto quente dele no seu gelado e ressecado pela idade, o observou com avidez. Tentava se apressar em observá-lo, os traços, sentir o quanto mais possível fosse, sua presença ali. Dizer-lhe tudo o que realmente desejava, perdão, amor, arrependimento, dor, desejo de voltar atrás... Mas nada foi dito. Num silêncio obscurecido pelas palmas de vultos tão jovens e belos quanto Noah, Letícia apenas pode deixar que seu sofrimento consciente, derramasse rios de dor em forma de lágrimas. No entanto, sorrindo um sorriso de amor, de redenção e paz, Noah apenas acariciou o rosto enrugado de sua mãe, e deixou-a. Caminhando entre a multidão, desaparecia dissipando aos poucos, até por fim, só névoa restar, silêncio e mais nada.














Escritora Tereza Reche

quarta-feira, 2 de março de 2016






CONTO Espírita



“E SE EU PUDESSE TE AMAR? ”




Essa pergunta acompanhou os passos da mulher que premeditadamente arrancara a vida que se escondia nela. Ato esse, que não seria efetuado se toda mãe tivesse a oportunidade de ser amada pelo filho que antes decidira executar. Essa é uma história sobre uma mulher chamada Letícia, ela era um pouco donzela e um pouco princesa. Até se tornar uma mulher amada, desejada e finalmente, uma assassina. Quando donzela não imaginava ser tão desejada, quando desejada, não previa que um dia viesse a matar!
Mas Letícia não foi condenada, pois o ser humano que ela decidiu tirar a vida não tinha tanta importância em termos legais, pois não passava apenas de seu filho. Porém, quando em estado de vigília, sua mente a leva se encontrar com uma bela criança, com qual mantém longas conversas e um amor incondicional é gerado entre elas no astral, Letícia descobre que nem sempre temos as informações necessárias para a consciência das atitudes cruéis que aparentemente não passam do cotidiano. O mais terrível é que ao despertar da vigília, suas intenções eram as mesmas e o arrependimento, apesar de dilacerante viria tarde demais!


Em breve no Clube de Autores...

Escritora Tereza Reche