quinta-feira, 24 de dezembro de 2015


NÃO ME INTERESSA




Não me interessa se não pensa nas palavras que digo...
Não me importa se o amor que sinto sequer é retribuído...
Não me interessa se as flores que enviarei serão afogadas num vão de bueiro escuro...
Não me importo com o corpo que deseja, sabendo bem que não se trata do meu...
Não me interessa os sonhos que cultivam juntos ou, o egrégora que se forma falsamente em mim a partir dos que cultivo dos seus...
Não me importa os dias e noites que aguardo que algo mude, ainda que saiba, não mudará...
Não me interessa que não virá, que não há nada do que existe somente em mim e nada mais...
Não me importa a impiedade e afasia de uma terra infértil, cultivada em vão, onde espero a colheita da ilusão que criei...
Não me interessa os conselhos de despertar daquilo que já previ de antemão... 
O que me interessa é o sentir, pois é por este que minha alma se apega... Não ao ser, mas ao estado do amar... 







sexta-feira, 18 de dezembro de 2015



ÓPIO



É na dança das cadeiras da vida, que se destacam aqueles
que cedem demais...
É durante a ação do ópio que se entende o significado da Paz.
É no momento em que se percebe, num relance que o amor nunca houve que se deseja o sonífero.



É no sentimento intenso, seja bom ou ruim, que se regenera...
É na letargia diante do óbvio,
que se sobrevive ao que os olhos temiam ver, a mente entender e ter de aceitar. 
É quando o Céu parece um engano, a paz distante pra si e a dor, condenação justa. 



Que o silêncio se torna a escolha, o pensar, fadiga valiosa e, objetivos... Utopias inodoras, incolores e insípidas.
É assim que se constrói o amargo no ser... De um segundo a outro num insight a lhe entorpecer...
Negando-se tudo que é, sente, deseja e compreende. 
Analgesia entranhada desde a pele até o mais profundo de si.



É assim que se faz aquele que cedeu as cadeiras, que desejou sucumbir a realidade ter... 
Na mentira o dilaceraram? Na hipnose imergiu até que o desliguem do caos.
Desordem periférica, tormento da qual ninguém vê.
Ninguém...
Ninguém...
Ninguém...


É quando, entorpecido de falsa leveza, não mais se importa com o que lhe traga, mastigando-lhe as carnes em estado de putrefação visível à todos. 



Só ele não vê, pois seu ópio da paz lhe preserva, escondendo o Mundo dos olhos, o som da verdade e o deixando finalmente, descansar.  

Escritora Tereza Reche 



quarta-feira, 16 de dezembro de 2015




DELÍRIOS DE CASSANDRA
(Fragmento do Romance - em andamento)



Massageando a nuca agora menos tensa, ainda gelada e oculta entre os cabelos revoltos pela ventania, Cassandra pensava em sua profundidade, enquanto as vozes em seu entorno falavam, falavam... Simplesmente falavam.
O que era a Vida afinal? Agora sim estava nítido, como não havia visto antes? Se perguntou uma última vez diante do mar que quase a tragara há segundos atrás... Pouco dava importância a isto agora, mero detalhe. O que lhe tinia nos ouvidos era a resposta que parecia encontrar.



- A Vida era um filme... Um filme... Visto de trás para frente! 




Como se descêssemos uma longa escadaria para um recinto obscuro, sem noção do que ali nos aguardasse. E ao chegar, nos deparássemos com uma sala límpida, onde somente um rolo de filme, de um longa metragem estivesse no centro desta. Mas antes de o colocarmos para rodar, lêssemos sua sinopse... Ao ler, mesmo sabendo que mocinhos morreriam, que donzelas seriam enganadas e ainda assim amariam seus traidores... Que o herói sofreria mais que o necessário e o vilão não seria punido o quanto mereceria, ainda assim, colocássemos o filme para rodar.


Porém, mesmo sabendo de tudo, de todos os atos, de todas as injustiças e que estes seriam fatos, destinos traçados para cada personagem e não seriam modificadas por não serem suportados pelo telespectador. 

Ainda assim, nos perguntássemos no momento das injúrias do filme: 

- Por que? 

Assim era na realidade... O destino nos está traçado; mocinhos morrerão... Vilões não serão punidos, donzelas serão traídas. E é como se esse filme chamado Vida, fosse por todos antes assistido e ainda assim, por tão interessante, fosse aceito ser vivido, porém, mesmo que sabendo dos riscos, no momento das cenas mais fortes, nos pegamos a perguntar:



 - Mas por que?...

Na verdade não há porquês... Não há resposta nem questionamento válido que os justifique. São apenas fatos, eventos traçados de antemão. Destino imposto ao personagem que o propusera assistir, mesmo tendo, provavelmente sido antes advertido das cenas fortes e das consequências para os que o fizessem. 
Somos todos grandes atores, grandes personagens igualmente selecionados para um grande ato! Para um grande longa metragem milimetricamente calculado e escrito. Dirigido por um grande diretor... Onde ninguém, seja o personagem que represente, é menos ou mais importante. Menos, ou mais necessário para que se complete esta atuação, que eu e você assistimos na pele, na alma e espírito o filme que antemão aceitamos fazê-lo. Afinal... 
- O bom ator não questiona, atua.



Assim sorriu o olhar de Cassandra que vagava, enquanto as mãos delicadas do paramédico insistiu em trazê-la para a realidade repetindo a frase pela terceira vez: - Por favor, pode me ouvir? Algum documento? Consegue se lembrar do nome de algum familiar? ...



























Escritora Tereza Reche

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015


NÉVOAS...


Religiosamente a Paz lhe vinha após o caos...
Flertava longínqua, dançando com o vento.
Trazendo aquele mantra decorado e prazeroso...
Assim era sempre o ciclo da dor.
Meses de névoa umbralina maciça a envolver ainda que viva, a carne nos dias de agora...
Após este inferno, a paz não menos real e palpável.
Pairando, vindo do Sul num movimento inexprimível.

 
E ao se apresentar diante dos olhos do corpo em trapos e resquícios de um ser...
A Paz estende-lhe sua névoa, esta aquece-lhe, faz dos trapos belas vestes e dos resquícios novo ser.
Respira tranquila a alma antes em estilhaços, para em breve - tem consciência - ser destruída de novo, como lhe está destinado ser.


























Escritora Tereza Reche

domingo, 13 de dezembro de 2015



DELÍRIOS DE CASSANDRA
(Fragmento - Romance - em andamento)


Na planta dos pés, finos e agora manchados da terra suja e úmida, caminhava arrastando os passos enquanto iniciava a mesma garoa fina de toda madrugada. A escuridão de fora não atemorizava mais que a de dentro... Tudo era tão insignificante quando comparado ao que vivia no peito.
Enquanto caminhava, respirava dificultosamente o ar frio que tomava o rosto e levava os cabelos, trazendo os respingos da chuva. Mas eram as recordações, a nostalgia que lhe vieram como uma faca lenta pousando precisa no esterno, adentrando devagar quase delicadamente, mas a fim de feri-la era obvio. O peso da água sobre os cabelos, da roupa encharcada, da dor a queimando, a visão dissipando e a confusão lhe tomando... Tudo foi intensificando e trazendo-lhe exaustão!
 Até por fim, sentir a última estocada da lâmina, e sobre a pele verter um sangue quase negro de tão tinto!
Levou-o à boca, sentiu nele o sabor cítrico e adocicado, o oposto de como este deveria ser... Prostrada de joelhos diante do caminho que fazia naquela escuridão sem destino, em meio às árvores e folhas encharcadas pela chuva. As mãos alisavam as folhas, num vai e vem sem sentido, enquanto Cassandra levava o olhar sem forças contra a chuva mais intensa agora a buscar nos borrões que ainda vislumbrava, respostas para como abjurar do corpo, das vestes, da carne, de si...

Escritora Tereza Reche 




sábado, 12 de dezembro de 2015



RECORRÊNCIAS








A decepção fortalece a muitos, a muitos não passa de efeito redundante.

É uma espécie de vai e vem de uma balsa, em águas nem calmas nem agressivas. 

É algo previsível e ainda assim, inaceitável! Surpreendente! 

A cada fim anterior, se aguarda que este tenha sido o último. Mas não, ela logo apresenta-se novamente num desses shows bem lotados, onde espectadores aguardam de nós o Epílogo recitativo. 

Um ser emaranhado na decepção, sente como que seu segundo ser interno, o ligado às dores e alegrias, sensações e desejos, por instantes sofresse uma desconexão... Como se o carnal fosse adiante e o intocável retraísse temeroso. 

Não é que se ama demais a pessoa que traiu, ou que a deseja de volta, não, nem é essa a questão! 

É o inaceitável por assistir pela milionésima vez o mesmo filme de comédia onde o protagonista é você. 

A busca interminável pela Filosofia e Física Quântica, pensando que talvez explicassem questões como: "Enganar o outro enquanto poderia dar-lhe a realidade", ou "Ser indiferente à dor enquanto o outro se dispõe a amar". 

E finalmente concluir que estudá-las não é a solução, após já muito exausto decidir não mais se expôr, se impor, confessar... Mas até quando? 

Esta é a grande pergunta, e, sobretudo, a chave para que se abra a porta de uma prisão dolorosa, fria, empoeirada e opressora. Onde o ar que se respira é denso e impuro conhecido como "círculos viciantes".

E agora...
Agora no ritmo do som longínquo de um piano ouço a partitura das minhas consequências.

Uma a uma, intermediadas pelo som de um violino triste, ainda mais que o dano antes causado.

E a revolta desse destino trágico vem ser o redundante opcional pelo desprezo...

O desprezar daquilo que foi por outros desprezado.

Afinal, nada mais eficaz para extinguir o que nos faz perecer, que destruí-lo definitivamente.

Mesmo que este, sejamos nós mesmos. 




























Escritora Tereza Reche

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015


MEDÍOCRE ONIPOTÊNCIA



Meu travesseiro tem teclas e minha cama não sente mais o corpo pacífico.
Minha visão enxerga a névoa deliciosa, límpida que sujo freneticamente agora.



Finalmente sinto o gozo duradouro daquele que cria...
Talvez meses, talvez anos, mas o prazer é linear, pleno e perene...
Os olhos dançam harmoniosamente com as falanges, guiando cada dígito, mesmo que estejam pesados e túrgidos.
Sim, dançam...

Fios de cabelo que reluzem a luz artificial, conduzindo-me à racionalidade, brincam com meu olhar lânguido entre o prazer e o extinguir na embriaguez.
Embriaguez de palavras, de ideias, do som das teclas a gerar música que é droga para cada reentrância dos meus neurônios. 


Enfim, culmina-me o clímax transcendente, multicolor e sonoro, repleto de letras miscigenadas e calculadamente reorganizadas, num plano, num destino, numa razão e num propósito chamado de Escrita!

Inspira-me... O silêncio e o nada, inspira-me... 
Inspira-me... A tristeza e o tédio, inspira-me... 
Destes, nascem novas mentiras, ilusões, falsos sonhos e risos. Todos moldados como no barro, em forma de mulher, homem e criança. 




Neles mato, faço nascer, tiro e dou... 
Minto, revelo... Perdoo e condeno à morte.Manejo e refaço nas mãos das minhas teclas da escrita o que bem desejar... 
Eis a medíocre vingança do onipotente escritor. Contra seus fieis e de fato, verdadeiros companheiros; o silêncio, a tristeza, o nada e seu eterno e infinito tédio. 

Mas não creio em poetas completos... Não. Não acredito em artista de alma satisfeita. Se este dizer-se assim, de artista e poeta nada terá. Talvez pense, talvez espalhe por aí e faça saber que seja, mas não. Nem sequer passa por essa mente juvenil o que seja sangrar como tal...






Escritora Tereza Reche 





SER DIFERENTE

Às vezes me perguntam como é ser assim?
- Mas, assim como?
- Como? Diferente.

Aquele que sabe o que ninguém sabe.
Descreve o que ninguém descreve.
Alcança frequências que ninguém alcança...
Sente, sente demais... Sente a ponto de enlouquecer!
Elevar as mãos basta para sentir... É tão nítido. O denso, a paz... A música... 
Como flautas permeando por aí. 
Olhares, sempre incomodam demais, olhar nos olhos é o maior dos pesares.
Eles dizem tudo!
Que nos odeiam, que nos amam, que nos invejam, que nos admiram ou planejam contra nós e nos desejam a morte. 
Não há como fugir disso!
E dói... Dói a ponto de buscar o fim, ou o escuro permanente do aconchego de um lar...
Fugir da fúria sem razão, uma fúria de espírito, vista por poucos.
De preferência estreito, sem muito espaço a andar, onde tudo esteja a mão, onde ali se possa ficar.
Pudesse gente como eu escolher ver, sentir ou não... Decerto não o desejaríamos. 
Dolorosa bagagem sem sentido encontra-se sobre alguns.
Karma? Dom? Energia? Sensibilidade? 
Nada sei sobre isso... Sei apenas que amedronta, entristece, afasta e exaure... 
Sofrer a dor do mundo, de todos de uma só vez! Enquanto a dor passa neles, ainda sofremos... Pedimos por eles... É como se esta jamais saísse de nós. 
Cravasse, acumulássemos história e não soubéssemos nos depurarmos depois.
Que belo seria, não sentir através da voz o que realmente desejam dizer, mesmo que digam outras palavras, ah como seria bom! 
Ouvimos o som fluindo, e nos olhos lemos a verdadeira história, nos ouvidos carnais o som, no espírito a verdade dos fatos...
Mas talvez, por uma exaustão já enraizada, fazemos que cremos no que ouvimos apenas, afinal... Do que importaria esta verdade diante de tantas outras mentiras? 
E assim arrasta-se cada um desses diferentes daqui, de um lado a outro, fugindo de horrores que muitos são privilegiados por desconhecerem sequer de sua existência real.  






MURO DO EQUILÍBRIO




Só peço do momento em que permaneço aqui... Que comumente muitos chamam de Vida.
Que eu seja demasiadamente feliz ou demasiadamente triste.
A ponto de verter luz pelo teto que abriga meus cabelos, ou sangue entre as unhas dele umedecidas.
Não mantenha-me entre estes extremos, lhe peço ó Tempo que comumente chamam de Vida!
Pois é como um vazio sem rumo.
Não acho descanso nem mesmo no leito.
Do alimento, não mais me sacio.
Das minhas lembranças, nada conheço.
E dos meus sonhos, pouco me importo.
E ainda assim, no descanso e sem fome, sem saudade nenhuma e de pouca ansiedade...
Não alcanço a dor necessária, nem a alegria que vestir-me deveria...
E não falo palavras que desejo, tampouco escrevo o que a alma me soca, batendo no peito, num pesar de desespero. 
Que emerge e imerge pela garganta, a suplicar diplomaticamente sem mais tanta esperança.
Permita-me o extremo de um ou o extremo do outro, mas não deixa-me perdida a salvo neste execrável muro entre a dor e a cura.

Escritora Tereza Reche



segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

DELÍRIOS DE CASSANDRA
(Fragmento do Romance em andamento)



Ela andava tendo visões estranhas aqueles últimos dias...
As resguardava para si, pois expô-las podia comprometer a reputação de sua sanidade.
Então, enquanto tragava o cigarro calma, num lapso lhe vinha repentinamente as imagens de volta! Era como a lembrança de algo que jamais fora. Como por exemplo numa dessas ocasiões, com os olhos vidrados num espaço entre o real e o irreal, mantinha-se naqueles mínimos instantes... Não mensurava o exato período em números quantificados, apenas se perdia naquelas recordações estranhas, tão lúcidas, tão sem razão alguma fazendo-a imaginar ser parte de sua fértil imaginação, ou talvez fragmento de algum filme perdido nas reentrâncias de seu subconsciente...  
"Uma ilha... Uma moça machucada, talvez fosse ela na carne de outra pessoa! Quão estranho eram estas lembranças que comumente a tomavam... Ela, impaciente por sua vez, ouvia em cenas miscigenadas, o esposo ou namorado, não se sabia - ambos jovens e belos - dizer para que se acalmasse... Pois o único suposto habitante daquela ilha, vivia lá já há mais de 50 anos e decerto saberia como ajudá-los!"
Mas a angústia daquela moça, a imagem do rosto dela em pânico pela perna ferida, parecendo ser uma fratura significativa, era real e tátil demais!Estremecia o espírito de Cassandra a ponto de trazê-la num súbito de volta à esta dimensão... 
Num lapso retornou a si, como quem sai de um transe momentâneo se viu diante do coqueiro da praia, o som das águas do mar, das pessoas rindo e o cheiro da nicotina do seu cigarro a fez perceber que tudo não passara de mais um delírio tolo e sem sentido, ou com todo o sentido que se pudesse haver!



Escritora Tereza Reche



sábado, 5 de dezembro de 2015


SALVE-ME

As teclas estão confusas...
Mas passíveis de compreensão, revisões salvarão a transmissão da linguagem quando a sanidade voltar.
Necessário se faz escrever agora, são nessas horas que a mente expõe sua mais visceral bagagem de sentimentalismo.
Dor.. Música, ela está aqui, de fundo, lenta, suavemente fazendo-me companhia....
Os olhos pesam e se fecham esporadicamente me fazendo tecer um texto curto de tempo imprevisível.


O lapso vem e me vejo de repente diante a  tela novamente, sonhos... Sonhos expostos nela. São tantos que prefiro escolher os menos psicodélicos e desconcertantes.
Meu rosto se encontra amortecido, talvez pelo etanol socialmente tragado...
Ele é companheiro daquele que cria, assim como Bukowksi o dizia, mas parece que por fim em alguns instantes me encontro sã e as imagens são reais, teclas, o pálido da folha virgem e a ansiedade do ponto que me aguarda antes da digitação, como que dizendo, vamos, diga-me, tecla-me, inspira-me, traz-me a vida!


São tolos momentos, são tolos instantes de sanidade insana, sem sentido algum... Não há o que dizer, só risos salgados enquanto se tecla... Mas no mais infortúnio das entranhas da alma, um relutar intraduzível se manifesta querendo manifestar-se sem êxito. Como numa náusea miscigenada à ansiedade e pânico.
Mais ou menos isso, mas não é. O peso clavicular intensifica, a tristeza também aumenta, então decido cessar de "representar" que estou inspirada por hoje... Talvez esteja, mas a confusão etílica, feito um redemoinho colorido e entorpecido, me faça não saber ao certo. Então me reservo a manter-me no talvez... Enquanto prazerosas nuvens de bem estar pairam sobre mim, algo insiste em me buscar para o caos... "Salve-me" digo; nem mais grito com intensidade, é uma voz doce, calma e sem dramatização nenhuma. Afinal, resguardo hoje a energia que outrora gastei demasiadamente sem resultado algum.





























terça-feira, 1 de dezembro de 2015




Imaginou que surreal seria, se todas as almas tristes se reunissem numa ilha? 
Se nessa ilha, derrubassem seus destroços na areia, amontoados feito sucata?
E ao cair da noite, num Lual formassem um imenso círculo ao redor deste, as mãos entrelaçassem num silêncio necessário. 
Os olhos cerrassem e decerto muitos chorariam, o som das ondas permearia cada um e seus segredos, limpando-os.
No centro da roda excêntrica das almas, toda a sucata que existe, queimasse num fogo fulminante?!
E o incenso daquilo que fosse há minutos destroços, torna-se-ia apenas uma nuvem branca e densa, que em breve choveria suas lágrimas de volta ao mar.
Da sucata que nada mais se tratava a não ser das angústias e dores expelidas pelas almas tristes, não restasse vestígio algum.
E quando os olhos se abrissem, nada mais fosse visto, senão o centro limpo, o mar cantando, a chuva caindo e semblantes sorrindo... Já imaginou que surreal seria?
Talvez Kush* houvesse imaginado ao pintar o quadro acima...


* Caso deseje conhecer mais obras surrealistas do artista Vladimir Kush, segue o link abaixo.
  http://arte-historia.com/vladimir-kush-obras
  http://vladimirkush.com/

Escritora Tereza Reche

sexta-feira, 27 de novembro de 2015




Há que ter forças para se ler certas palavras...
Não são estas para qualquer um.
Os que leem sem sentir, nada entendem.
Os que sentem, correm o risco de feito as palavras
sangrar pelos poros desapercebidamente.
As frases aqui escritas, são de mãos que sabem lamentar,
mas não lamentam.
Que sabem como é a dor da alma transpor o suportável, vir-lhe demasiadamente a ponto de adoentar músculos, ossos e nervos...
Ainda assim, negar.
São escritas por uma mente que sabe, ainda que túrbida, dramatizar perfeitamente o oposto.
E ter sucesso.
Adormecer mais de dois dias num sono entranhado, onde ao despertar dos olhos, as lágrimas adiantam antes destes.
Então novamente adormece buscando a paz. 
Que emite resplandecência no olhar, onde sua única luz se encontra concentrada ali.
E nada mais.
Arraigado nela já cronicamente, um peso recai e a angústia clama que tudo termine, que tudo se vá, que tudo lhe dê paz e trégua.
Trégua de quê? O que se vá? 
Não sabe já há tempos...
Então o destilado destrói os neurônios, quem sabe sucinto assim sejam os momentos.
Não! Logo desperta e mais um poema lhe nasce da dor. Sempre assim...
Ama intensamente e deixam de amá-la.... Amam-na e perde o desejo por esses...
Assim, jamais encontrando satisfação no amor.
Fala de amor e não o conhece.
Mas da dor dilacerante e visceral que a esmaga a ponto de liquefazê-la, desse mal sabe muito, as mãos que escrevem essas palavras. 
Sangue vertido todo tempo, dor alimentada toda noite, lágrima emergente, construindo letra a letra de cada palavra escrita, palavra que sangra os que sabem senti-las.
Ou então, que sequer serão conhecidas pelos que não absorveriam sua essência, caso sejam frágeis ou supostamente felizes demais.





quinta-feira, 26 de novembro de 2015






Acordou em dúvida...

Confuso...
Tocava as mãos frias, observando-as fixamente.
Permaneceu por alguns segundos nela.
Sentiu um vácuo tão intenso na área do peito,
que o levou a questionar se ainda vivia...
O tempo parou, desejou aquilo.
Ainda numa imprecisão de todos os sentidos, sentiu carência.
Olhou ao redor e não viu, não viu nada! Só um cinza fosco, nenhuma luz sequer.
Cerrou os olhos, mas parecia ter perdido as pálpebras, pois o cinza que lhe cobria continuava ali.
Temeu... Então desprendeu as mãos e percorreu dos pulsos ao ombro, gélido como nunca sentira nada!
Um vazio... Um vazio triste e imenso, segundo a segundo o dissipava com precisão e delicadeza. 
Não era ruim, não era bom, apenas era. 
Desejou continuar assim, acabando-se, terminando-se, findando-se. 
Tornou-se um prazer desmanchar-se devagar, calma e pacificamente naquela dúvida...
Naquela incerteza de ser, estar ou não mais ali...

quinta-feira, 29 de outubro de 2015




DENSIDADE DEMAIS!





O que fazer quando a gentileza gera aversão?

Como agir quando o amor é convertido em traição?

Para onde ir quando o porto seguro desaba debaixo dos pés?

O que pensar ao vislumbrar que ao seu mundo nada mais és?

Como dormir sentindo ao derredor o hálito de seus inimigos, dia e noite a vigiar?

E ainda, como essa atmosfera densa não querer deixar? 

Sendo aqui, um peso sobre a alma cada vez mais insuportável, próximo demais de si?

Ensinem aqueles que não sabem recusar gentilezas e trair os que os amam.

Também aos que creem no suporte alheio, na importância que possuem a outrem.

Aqueles que não maquinam em suas mentes contra o próximo ou distantes que seja...

Ensinem, vós que assim o são, a esses que são limitados para compreender tais sentimentos, tais ações. Pobres, tolos e perdidos, numa terra para estes, um tanto densa demais... 

Mas, se acaso não desejam prevenir à estes ingênuos e excêntricos transeuntes da Terra, ao menos os poupem de tamanha e desnecessária dor.


Escritora Tereza Reche